segunda-feira, 27 de junho de 2016

SIMPLES ASSIM... SER QUEM SE É!

   

   Enquanto teclo, o Luiz Gonzaga vai tocando e cantando "Que Nem Jiló". Que saudade das cantorias dele: forró, baião, os ritmos do Nordeste em alegria. Falem, mas não tem pra ninguém quando o ritmo é das delícias tocadas e cantadas do Nordeste. É balão no céu subindo de entusiasmo. É festa junina e seus bailados que balançam o corpo da gente. Eita, eh saudade do Luiz Gonzaga, mais que cantor, um poeta contador dos causos e cantos sofridos do homem. É coisa da gente, pura e simples assim, está na pele do brasileiro. Quando canta "A Triste Partida", letra de Patativa do Assaré, e com sua música, as batidas de dor, a andança sofrida do povo devido as secas das terras nordestinas, então, coração fica dolorido. Veja aí que verdade:  https://www.youtube.com/watch?v=Yu0bvuK8s_k .

   Estou aqui me alembrando da animação que assisti na TV Cultura, "Carrapatos e Catapultas", direção de Almir Correia. Nem vi o título do desenho, são muitas séries. Mas a de hoje eu gostei bem do trecho em que dois personagens conversavam e diziam mais ou menos assim:  

   
"No meu Space Book é bem legal e vou fazer um monte de amigos.

Eu já te disse, no Space Book a pessoa não mostra quem é, mas o que quer ser. Larga esse negócio.

Não, eu quero ter muitos amigos, quanto mais melhor, não quero largar depois de ter conquistado tantos amigos."


    Qualquer coincidência é mera semelhança rsrsrs. Ou vice versa. O ideal é o simples, que nem o jeitão do Luiz Gonzaga; mas na rede, o domínio do desejo está no comando. E se crê ter asas, mesmo não podendo voar. Então voa passarinho, voa...     

segunda-feira, 20 de junho de 2016

CENTO E VINTE ANOS... DÁ PRA CHEGAR?

   

   Vi no Face que o INSS parou de pagar a pensão de uma senhora porque imaginou que uma pessoa naquela idade não estivesse viva. A senhora têm 120 anos, dá para acreditar? E isso aqui no Brasil. Até recomendaram a família mostrar documentação ao guinness book.

   Já pensou viver 120 anos? É o dobro do que venho tanto comemorando, os sessenta. "Putzgrila" é tempo pra "dedeú". Nem sei como pode ser viver tanto. Ver os amigos partirem, os conhecidos e até mesmo os filhos, como no caso dela. Claro não se pensa nisso. Vivendo vai.

   Como diz  Guimarães Rosa:

"...A muita coragem... Se carece de ter muita coragem..." 

"Porque, viver é muito perigoso..." 

"Se amanhã meu dia for, em depois-d'amanhã não me vejo." 

"Teu destino dando em data, da meia-noite tu vivente não passa..." (Grande Sertão Veredas).

   E com falas tão recheadas das verdades, quero crer que essa proeza foi conseguida por ser ela do meio rural. Num dá para chegar aí vivente em cidade grande, poluída, estressante, apinhada de ansiedades e cobranças. Difícil. Tudo quanto é gente, hoje em dia, que vive nessa agonia de cidade grande, traz no âmago uma consequência do viver o caos de uma metrópole.

   Não é à toa que a cada dia mais e mais pessoas exigem qualidade de vida. Principalmente a proporcionada por políticas públicas de saúde, essencial a população que envelhece e está refém de um estado que ainda não percebeu que vem fazendo pouco pelo direito primordial, a saúde. A senhora conseguiu provar que viva está só depois de obrigada a viajar mais de 200 km. 

   O importante, ainda citando Guimarães Rosa:

"Tem cisma não. Pensa para diante. Comprar ou vender, às vezes, são as ações que são as quais iguais..."

   Fiquei entusiasmada que terminei de ler o livro do Guimarães Rosa, Grande Sertão Veredas (finalmente!... desde 2012 venho lendo http://aposentadativa.blogspot.com.br/2012/04/pausas.html) e descambei a citar sua prosa sertaneja, como deve ser a da senhora de 120 anos (agora já mais fraquinha pelo passar dos anos). 

sexta-feira, 17 de junho de 2016

O FETICHE DO OLHAR

   

   Tão empolgada estou ultimamente nem dei as caras. Lendo o livro do Ítalo Moriconi, Os Cem Melhores Contos Brasileiros do século, 2001, Objetiva. A cada conto que leio fico tão emocionada pela beleza da escrita. Cada história delineada nas mãos dos nossos mestres da Literatura é de cair o queixo. Magníficos enredos, tecitura em níveis surpreendentes. Encantam a cada parágrafo a tal ponto que sinto necessidade, na maioria deles, reler mais de uma vez.

   Já estou nos contos dos anos 60. Empolgada, doida que não tenha outras coisas a fazer. Apenas o desejo já que algumas situações não se têm como furtar. Mas que dá uma vontade danada de jogar tudo pro ar e ficar por conta da leitura isso dá. E me perco, entrando fortuitamente no meio delas e sentindo todo o arrepio de quem a vive.

   Até parei com outras leituras a partir da descoberta do livro. Lidar com a diversificada categoria de escritores vem me fazendo analisar de forma interessante o jeito de cada um. Cada modo de escrever, a compostura do enredo, a continuidade de manter em cada parágrafo o interesse, o suspense, o desejo de conhecer o desenvolvimento da história. Fascinada é a palavra apropriada para esse meu desatino e voraz necessidade.

   Quando elejo um conto como o mais genial do livro, o próximo vem a modificar meu pensamento. Já não consigo definir um conto como o mais bonito. Todos que li tem o elan significativo e que pertence somente a ele. Mas estou tentada a considerar o que mais me fascinou até o momento, Rubem Fonseca, A Força Humana. O escritor começa o conto com uma cena comum e durante o desenvolvimento do conto, passa por tantos sentimentos humanos e sobre outros temas diversos, sem perder o fio da meada e consegue retornar e terminar com a cena comum de tal forma que assombra o bom leitor. Maravilha de escolha.

   O aproveitamento está sendo intenso e compensador e quisera poder conseguir tal empreitada. Fico na inveja, que fazer. Recompensada por ter essas jóias para usufruir de leitura. E sentir na pele todos os sentimentos de todos os personagens. Bom demais!   

quarta-feira, 1 de junho de 2016

JUVENTUDE CONGELADA

   

   Bem disse que continuaria brindando durante a semana. Mas não é que ultrapassou. Nada como se desligar da realidade e buscar outros caminhos. Que outros? Existem tantos e as pessoas ficam presas às suas torpes necessidades do viver comum.

   Fugi, fugi para longe. Na mente, corpo e coração. Andava pelos altos das montanhas, escalava até o corpo sentir-se ofegante, descobria a história através de ruínas. E como me deslumbrei com tudo. Em cada leitura, em cada visão. 

   Falar por incógnitas é deveras interessante. A literatura permite. Através do conhecimento de culturas diversas, amplia-se a visão de mundo. E ora se passa a entender o significado do que ficou, ora tudo se torna um intricado jogo que não se consegue entender como chegamos até aqui. O que aconteceu?

   Bem parecido com o filme Quarenta e cinco anos, de 2015, dirigido por Andrew Haigh, Reino Unido. Num ritmo lento, conta o que se passa com um casal prestes a completar quarenta e cinco anos de convivência. Estranhamente naqueles dias o marido tem notícia de uma jovem mulher descoberta entre as geleiras dos alpes suíços. E ele se reconhece na história daquela mulher. Antigo amor de sua vida que desapareceu.

   Nos quarenta e cinco anos junto com a esposa ele nunca havia mencionado a paixão da juventude e que acabara de forma inusitada. A mulher vai conhecendo pedaços da vida do marido e tecendo o acontecimento e revivendo o tempo do enamoramento entre os dois. Apesar da fatalidade ter acontecido antes de se conhecerem, a mulher vai ligando fatos e observando o envolvimento do marido, que parece exacerbado. O fato passa a ofuscar todos os quarenta e cinco anos de vida do casal. Um fantasma, jovem, começa a interferir no relacionamento a dois de forma constrangedora, como se ocorrido no aqui e agora.

   O ocorrido há mais de quarenta e cinco anos, descoberto após tal tempo, tem a dimensão sobrepujada e estremece a estabilidade daquele casamento. E cenas vão mostrando a vivência pobre, rotineira, cotidiana de um casal maduro, de classe média, onde a paixão ficou para trás e o que sobrou foi apenas o resquício após tanto tempo de convivência. A perda do desejo, o envelhecimento, a memória fraca tanto nas repetições do que já fora contado, quanto no que acabou de fazer e já não se lembra. Tudo corrobora para mostrar a triste decadência da união. 

   A relação parece ter empobrecido quarenta e tantos anos de vida em uma semana a partir da descoberta de um fato não dito. Não dito e que surge pulsante e juvenil naquele momento. Toda a história de amor, entre ela e o marido, aquele homem que torna-se um desconhecido, é colocada em cheque por ela. Como duvidando do amor que ela acreditava. Todos os lances deixam transparecer, na visão da esposa, de que o fato passado esteve presente em cada momento de cada vivência que ocorrera entre ambos.

   Finalmente a festa das bodas, a comemoração buscando tamponar um casamento em crise e que se intensifica. A declaração do marido sobre a data aos presentes, onde deixa claro em sua fala a importância do relacionamento e de como a falta de propósitos (projetos de vida), com o envelhecimento, vai deixando a relação empobrecida. Agradece a esposa por aturá-lo por tanto tempo e confirma que a ama.  

   Chega então o clímax, a canção que o marido gostava de ouvir quando a conheceu. A canção traz em sua essência a história de um amor que morreu e nunca foi esquecido. A esposa cai em si e sente, pela primeira vez, que a canção não era dos dois e sim sobre o amor dele pela mulher descoberta nas geleiras dos alpes suíços. A canção acaba e todos comemoram; menos ela, que tem a certeza de que o casamento ruiu.

   Como a mente é fértil... até quando se envelhece!

segunda-feira, 16 de maio de 2016

TRANSFORMAÇÃO, COMO BORBOLETA

   

   Sessentão completados. huhuhuhu! "Eta lasqueira", bom "dimais" da conta gente. Estar viva e atingir os sessenta. Que glória. O meu passado neanderthal, os problemas hereditários subjacentes pelo menos, por enquanto, não me atingiram. Vez ou outra uma encrenca, dada a baixa imunidade e a característica autoimune. Sobrevivente graças a cuidados, conhecimento e informação, itens necessários para quem quer viver mais e melhor.

   Agora, já a quatro dias caminhando para os sessenta e um aninhos. Paro de contar por aqui, vou é viver e bem o tempo que está reservado. Faço ironias com a questão da velhice, o ser velha. Gosto de pontuar que isso em nada afeta o meu estado de ânimo. É importante ter um pé na realidade, inda mais que vivo pisando em nuvens. Mas continuo na luta. Na luta por um Brasil melhor, sempre buscando doar um pouco em prol da comunidade, que de certa forma contribuiu para a minha formação. Nunca me esqueço disso. Tenho pra mim que a herança de meus pais, trabalhadores simples, que na luta diária me proporcionou a maior de todas: a importância do estudo. Com muito esforço pois o ganha pão pouco.

   E quando bate aquele desânimo. Claro, todos ficamos deste jeito em algum momento; ou tristeza; só levando a vida, encarando a rotina enjoada e chata que nem sempre podemos nos livrar; vejo a natureza me salvando. Uma borboleta que aparece voando na minha frente. De uma cor básica, amarela, ou a beleza da furta-cor, dançando no ar e soltando os seus "pirlimpimpim" para o meu lado. Sinto a energia encorpando-se, me atingindo a alma. Olho o mar, o céu, a imensidão, me apaixono pela vida integralmente. Ainda tem a magia do acordar e dizer com vontade Bom Dia Vidaaaaaaaaaaaa! Acho que esse feeling, trás todo um arcabouço positivo e alegre que vai contaminando. Respiro bem fundo. "Vamo que vamo". 

   Dá para entender o que quero dizer. Se ler o conto do Rubem Braga, Um Braço de Mulher vai compreender como de um simples acontecimento se tira tanta lição de vida. Ah, a leitura. Como faz bem. De um movimento, pequeno que seja, capaz de ampliar infinito. Esse conto fez isso. Que beleza expressa em palavras, maravilhoso texto. Na hora H de desistir da vida, algo aparece reluzindo, iluminando o momento áureo. E tudo volta a fazer sentido e a luta férrea, necessária, avassaladora.

  A foto mostra a família irônica. Ganhei o Estatuto do Idoso juntamente com uma cesta de produtos e a flor desenhada e pintada pela filhota. 

   E para a semana continuo a comemorar o niver. Todos os dias pra frente...     

quarta-feira, 11 de maio de 2016

VELHA EM CENA

   Está se aproximando o dia em que serei considerada velha - dia do meu aniversário dos sessenta. Poucos dias e fica confirmado, patenteado, laureado - sou velha.

   Velha - oh palavrinha detestada por 9 entre 10 mulheres (pelos homens também hoje em dia). Vai perguntar a idade para alguma delas, não falo responde. Como se não falar a idade fará diferença no aspecto aparência, pois está na cara, corpo, movimento e cabelo, mesmo que a plástica seja a prática.

   A força da palavra. Velha velho é uma palavra tão estereotipada na sociedade ocidental que apavora a menção. Eu mesma comentando com uma amiga que estava velha para determinada situação ela me falou para parar de ficar me diminuindo kkkk. Na verdade a gente até diminui mesmo, a altura kkkk. Apenas a verbalização, e as pessoas acham, totaliza a pessoa, significando ser inútil, desvalido, sem energia, morrente.

   Lendo um artigo de uma escritora, esta se assustou com um casal no supermercado, quando o homem chamou a mulher "Velha, vem aqui ver se é essa marca". A mulher largou o que estava fazendo e foi até ele. O susto maior é que a mulher aparentava uns 40 e o homem 45 anos. Eles pareciam se chamar, assim, carinhosamente, velha velho. Não é uma gracinha, nada vi de mal.

   A palavra velha, na verdade, tem apenas a conotação de tempo de vida, algo natural e esperado quando se alcança a maturidade cronológica. Daí, segue-se a caminho da involução, da degenerescência. E é isso que significa, uma palavra natural e comum. Não entendo tanto "tremelique", tanto "nheco nheco", tanta frescura.

   A introdução é apenas para contar do filme O Exótico Hotel Marigold 2, de 2015. Assisti o primeiro, lembram http://aposentadativa.blogspot.com.br/2013/01/mudanca.html. Pois é, o segundo filme veio tão empolgante quanto. Num ritmo agitado, com cenas  que levam uma dinâmica interessante... principalmente porque eis que aparece o Richard Gere... todo lindo... vale assistir... claro, não só por isso, também por isso rsrsrs.

   As cenas com a senhora Muriel (Maggie Smith) encantam. Ela tem a certeza da proximidade da morte. Está cansada, sem energia e, ao final, na celebração do casamento do Sonny (ator de Quem quer ser um milionário), Muriel deixa de ir à cerimônia. Só, no hotel, reflete sobre o tempo,  o momento de sair de cena... algo natural e que aprendemos com o caminhar do relógio. Muito linda a cena. Chega o Sonny todo preocupado com ela por ter dado pela falta e a encontra ali, tranquila, no aconchego do quarto, sem a necessidade de holofotes. 

   Pode crer... pode vir o terceiro. 

domingo, 1 de maio de 2016

ABRIL FECHOU SEM CASTELOS

   Levei o maior susto quando percebi que hoje é o último dia de abril; como já estamos beirando o meio do ano e continuamos, politicamente falando, nas folias de carnaval: políticos fantasiados de todo o tipo, mulas-sem-cabeça, nosferatus, caricatos palhaços, ladrões de votos, sanguessugas, judas, sociopatas, hienas... política na terra tupiniquin virou comédia no mundo inteiro. E desde o abril passado não fazem nada (ou desde sempre?) a não ser "o quanto pior melhor". Credo!

   Foi que li a postagem última de abril de 2015 por sentir que a tinha escrito ontem http://www.aposentadativa.blogspot.com.br/2015/04/abril-fecha.html ... como passou um ano... ventania, furação, redemoinho etc. E estamos na mesma estaca, fincada ao coração, pelas agruras da realidade.

   Vale a pena não continuar com esse papo de aranha... nós estamos todos os dias igual a pílula do dia seguinte... esperando resultado bom.

   Vamos velejar para outras marés, as do lirismo, da poesia, é a boa parte que sobra no confuso dia a dia. Uma amiga me enviou esse poema lindo de Fernando Pessoa:


"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

 Fernando Pessoa


   E assim vamos caminhando, esperançosos sempre, enquanto a vida nos dá coragem!