Estou aqui sentindo todos os sentimentos de todos os personagens. Lendo livros: Diário do Outro, Ronald Claver; Breve Romance de Sonho, Arthur Schnitzler; O sentido de um fim, Julian Barnes; Obras de Qorpo Santo, Qorpo Santo; Deixe o quarto como está, Amilcar Bettega e um de poesia para o eu lírico saborear: Lãs ao vento, Arriete Vilela.
Olha que desta vez está dando certo. Uma leitura encadeada a outra, seguindo fio da meada estrada afora.
Eu disse que alguns afazeres selecionados para o ano têm interferido nos planos, mas leituras, continuam no pique. Escrivaninha recheada de ótimos escritores, embalando meu estar no mundo.
A noite está linda, estrelada, poucas nuvens. Ainda o inverno, que começa dia 21, não deu as caras com força, beirando os 20 a 25 graus, com sol durante o dia... muito bom!
O que não cessa são as obrigações... agora mesmo, tenho que interromper tudo para dar uma finalizada nas roupas. A máquina de lavar me avisou que estão prontas para ser retiradas do cesto. O ritmo está bom, os exercícios idem, então, mãos à massa.
Depois conto sobre as leituras ok! Nada de vento por hoje.
quarta-feira, 14 de junho de 2017
quinta-feira, 1 de junho de 2017
MAIO EXPIRANDO DITOSO
Ando ensaiando postar e a confusão em administrar o tempo abateu-se depois de aposentada. Apenas os que vivenciam a situação vão atestar a idoneidade da frase. Os dias correm, rolam um a um, ao olhar incrédulo, de quem deseja mais tempo.
Ele não se individualiza para mim. É único e cronometrado igualmente entre mortais. Como não aceito, rebelde se atreve a provar que não posso dormir mais que o necessário e ainda querer organização da agenda. Queria adivinhação dos astros, sol, lua, estrelas. Ou quem sabe, tomar o horóscopo e descortinar à frente prognósticos favoráveis.
Como nem em vaga suposição conseguirei escalar o arranha céu, como homem-aranha, resigno-me a vã aparência de simples mortal. Mulher, com afazeres de super herói, sem merecer título.
Quanta ladainha, digna de Folhinha Mariana.
Maio, mês quíntuplo, foi-se. A noite descortina junho. E por aqui, na Santa Catarina, não adianta rezar, porque a água cai sem parar, prometendo o que é de nosso conhecimento, a vinda do inverno, do frio, do congelante vento sul, norte, ... que sopra da Argentina até o Sul do Brasil e ganha outras regiões.
Agora a chuvinha fina acalenta o cérebro sem parar, dedos chacoalham teclas e inundam texto de palavras que se quer ditosas. Assim seja!
Como Adélia Prado, in A duração do dia, ressoando em meus ouvidos:
Ele não se individualiza para mim. É único e cronometrado igualmente entre mortais. Como não aceito, rebelde se atreve a provar que não posso dormir mais que o necessário e ainda querer organização da agenda. Queria adivinhação dos astros, sol, lua, estrelas. Ou quem sabe, tomar o horóscopo e descortinar à frente prognósticos favoráveis.
Como nem em vaga suposição conseguirei escalar o arranha céu, como homem-aranha, resigno-me a vã aparência de simples mortal. Mulher, com afazeres de super herói, sem merecer título.
Quanta ladainha, digna de Folhinha Mariana.
Maio, mês quíntuplo, foi-se. A noite descortina junho. E por aqui, na Santa Catarina, não adianta rezar, porque a água cai sem parar, prometendo o que é de nosso conhecimento, a vinda do inverno, do frio, do congelante vento sul, norte, ... que sopra da Argentina até o Sul do Brasil e ganha outras regiões.
Agora a chuvinha fina acalenta o cérebro sem parar, dedos chacoalham teclas e inundam texto de palavras que se quer ditosas. Assim seja!
Como Adélia Prado, in A duração do dia, ressoando em meus ouvidos:
" TENTAÇÃO EM MAIO
Maio se extingue
e com tal luz
e de tal forma se extingue
...
rosa que se fecha sem fanar-se."
segunda-feira, 22 de maio de 2017
O DESCORTINAR
Finalmente consegui tirar o olhar das favas políticas replicadas na rede... tanto fuzuê neste Brasilzão que a gente deve admitir, assusta as consequências. Não se sabe como a semana terminará com os imbróglios e corrupções na política. Só vivo pra acompanhar o nonsense real vivenciado pelos cidadãos brasileiros. Não precisa nada fantasmagórico.
Preciso fazer um corte... a cabeça está pesada! A chuva cai na noite úmida da cidade e o barulho, pelo menos admite, nem tudo está perdido. Resta um pouco de poesia.
Assim inicia o filme Garota Dinamarquesa, de 2015, soando poesia, beleza panorâmica do início do século XX mostrada em paisagem e vestuário, os desejos revelando-se, dizendo ser possível sim, a mudança. Como sempre, recheada de problemas, rejeições, transtornos, regras cruas da sociedade, relações tumultuadas pelas escolhas.
Traz a história verídica de um pintor dinamarquês que ao posar para a esposa, também pintora, começa a ver aflorar o lado feminino, do qual ele mesmo, não atinava. Ao sentir os tecidos fluídos, os calçados femininos, o charme contido nos penteados e maquiagens, as delicadas posturas, vê-se envolto na artimanha do destino e do lado latente - o desejo de ser mulher.
A esposa detecta muito tarde, já não dá para reverter as sensações vivenciadas no novo estereótipo. O vestir-se mulher transforma a alma do homem com quem se casara, agora importa descobrir o significado de ser mulher. Na trajetória, a que não aceita retornar ao antigo papel, desafia a medicina da época, a operação definitiva de mudança de sexo.
O enredo vem do diário do pintor, as angústias, as expectativas, a ânsia pelo florescer de uma mulher. A força do desejo é tão grande que abre mão da cautela, mesmo com saúde precária, assume passar a prova final, retirada do órgão masculino que lhe embota a feminilidade. Considerada a primeira experiência de transformação sexual.
Proeza de mostrar sensibilidade sem toque de preconceito. Lindo filme!
Preciso fazer um corte... a cabeça está pesada! A chuva cai na noite úmida da cidade e o barulho, pelo menos admite, nem tudo está perdido. Resta um pouco de poesia.
Assim inicia o filme Garota Dinamarquesa, de 2015, soando poesia, beleza panorâmica do início do século XX mostrada em paisagem e vestuário, os desejos revelando-se, dizendo ser possível sim, a mudança. Como sempre, recheada de problemas, rejeições, transtornos, regras cruas da sociedade, relações tumultuadas pelas escolhas.
Traz a história verídica de um pintor dinamarquês que ao posar para a esposa, também pintora, começa a ver aflorar o lado feminino, do qual ele mesmo, não atinava. Ao sentir os tecidos fluídos, os calçados femininos, o charme contido nos penteados e maquiagens, as delicadas posturas, vê-se envolto na artimanha do destino e do lado latente - o desejo de ser mulher.
A esposa detecta muito tarde, já não dá para reverter as sensações vivenciadas no novo estereótipo. O vestir-se mulher transforma a alma do homem com quem se casara, agora importa descobrir o significado de ser mulher. Na trajetória, a que não aceita retornar ao antigo papel, desafia a medicina da época, a operação definitiva de mudança de sexo.
O enredo vem do diário do pintor, as angústias, as expectativas, a ânsia pelo florescer de uma mulher. A força do desejo é tão grande que abre mão da cautela, mesmo com saúde precária, assume passar a prova final, retirada do órgão masculino que lhe embota a feminilidade. Considerada a primeira experiência de transformação sexual.
Proeza de mostrar sensibilidade sem toque de preconceito. Lindo filme!
quarta-feira, 17 de maio de 2017
ANDAR SEM RUMO
A velha, a maluca beleza, a babel atarantada anda fazendo das suas. Tal qual a história, também ando criando confusões para o meu lado. Acúmulo de ideias, situações, exercícios físicos, obrigações caseiras, e o pique deu uma levantada, estou a mil.
Aproveitei a onda e fui andar sem rumo. Saímos por aí, pelo considerado vale europeu aqui no Sul de Santa Catarina e fomos conhecer as cidades mais alemãs do estado. Foi bem legal não fazer roteiro (consegui segurar o desejo de ter as etapas definidas) e deixar que a cada cidade o aroma local misturado às raízes culturais nos seduzisse.
Foram tantas cervejas, chopp, joelho de porco a pururuca, chucrute, cuca, cantoria... fotos das construções enxaimel produzidas pelo marido, quando retornamos é que paramos para respirar novamente o cotidiano. Como foi bom arejar. Costumo dizer, sair do comum tem suas compensações. Outros ares, novas pessoas, histórias interessantes, rastros de todo tipo e o olhar às especificidades fazendo a inspiração brotar do simples convívio. E olha, a poucos quilômetros de casa.
Um fim de semana com olhar arguto e a curiosidade pululando em cada esquina. Esse outono vai deixar boas lembranças.
Aproveitei a onda e fui andar sem rumo. Saímos por aí, pelo considerado vale europeu aqui no Sul de Santa Catarina e fomos conhecer as cidades mais alemãs do estado. Foi bem legal não fazer roteiro (consegui segurar o desejo de ter as etapas definidas) e deixar que a cada cidade o aroma local misturado às raízes culturais nos seduzisse.
Foram tantas cervejas, chopp, joelho de porco a pururuca, chucrute, cuca, cantoria... fotos das construções enxaimel produzidas pelo marido, quando retornamos é que paramos para respirar novamente o cotidiano. Como foi bom arejar. Costumo dizer, sair do comum tem suas compensações. Outros ares, novas pessoas, histórias interessantes, rastros de todo tipo e o olhar às especificidades fazendo a inspiração brotar do simples convívio. E olha, a poucos quilômetros de casa.
Um fim de semana com olhar arguto e a curiosidade pululando em cada esquina. Esse outono vai deixar boas lembranças.
sábado, 29 de abril de 2017
CÉREBRO ANDA REBELDE
Três postagens atrás eu falava do James Dean e coincidência, passou o filme sobre a vida dele, Life, de 2015. O ator Robert Pattinson encenou o fotógrafo Dennis Stock que buscava a foto que o colocaria no rol das celebridades. Por aí começa a tornar conhecida a biografia do astro, que ainda não era sucesso, James Dean.
Inicialmente encarei no ator certo pedantismo, que no decorrer das cenas foi-se desfazendo. No fundo, um adolescente às voltas com questões da juventude. Imaturidade, crise de identidade, dificuldade de crescer, relação com a mãe/pai ... e uma característica que trouxe surpresa, não afinava com as obrigações de comparecer aos lançamentos, arredio à tal convenção.
O fotógrafo reconhece nele um artista de talento e passa a conviver com ele em situações de família e assim tem-se o registro fotográfico de momento da vida desse ator que se foi tão jovem, aos 24 anos.
As fotos inicialmente não convenceram as revistas de que valessem a pena. Mostravam o lado simples de um jovem em busca do sucesso, mas carente da convivência junto à família e o lugar onde nasceu, Indiana. Falta da mãe que morrera cedo, lembrança da infância onde brincavam de imitar animais da fazenda, relatos conhecidos pelo depoimento do fotógrafo.
O lado rebelde e selvagem do ator entusiasmaram, mas acidente de carro afastou fãs de conhecerem a trajetória, fez três filmes de sucesso, o mais conhecido Juventude.
O fotógrafo, a partir do material registrado, passou a ser respeitado e fez sucesso.
Incrível como os jovens são iguais e tão diferentes. Únicos. As crises perseguem etapas numa experimentação da vida. Jogos se iniciando e se encerrando, etapas interrompidas ou ...
Mais uma vez, a frase veio a cabeça.
quinta-feira, 27 de abril de 2017
FRASE FICOU NA CABEÇA
Conheci o diretor de teatro Celso Nunes dia desses pelo canal da Cultura, Persona in foco, reprise. A experiência de pessoa ligada a arte trouxe temas interessantes, com a emoção de quem conta a trajetória.
O teatrólogo relata a experiência nas peças encenadas, entre elas, a luta de Vlado Herzog, não poupado da violência com que encarnava os jornalistas (os considerados comunistas) durante a ditadura militar. O depoimento é tocante e resgata em mim a necessidade de pegar o livro que me espera, As duas guerras de Vlado Herzog, Audálio Dantas, Civ. Brasileira, 2012. Eis o momento, amparado por depoimentos de amigos, da esposa do jornalista, do próprio diretor. Além de conhecer a história do ponto de vista de quem presenciou o perigo de viver e morrer.
Voltando ao assunto, Celso Nunes, numa das falas, colocou a frase, que achava ser de Stendhal, "O homem sabe que vai morrer, mas vive como se não soubesse." Relatou a dificuldade em lidar com perdas e de como tais experiências o levaram a ser um "Rolfista", trabalhando em Florianópolis.
A frase ficou na cabeça... Pensei marcar hora na clínica dele, mas já deixou a cidade!
quinta-feira, 20 de abril de 2017
ACORDAR E ENTRAR EM FORMA
Tomei vergonha na cara. Retornei para academia. Afinal, musculação é fundamental para quem passa dos sessenta, melhora mobilidade e flexibilidade, dizem especialistas.
Fui paramentada para a situação. Chegando lá, observo que minha vestimenta não está atualizada para o gênero. Roupas colantes são a moda. Atenta segui orientações da professora. Em outra olhada, noto que o número de pessoas da idade é a maioria, o que me deixa animada.
Astral do lugar é bem legal, professores antenados se a gente está corretamente seguindo as orientações. Fundamental para a era do Condor, não é mesmo!
Não acreditei no que senti logo após primeira aula. Pessoas vão pensar, é uma exagerada, as dores que sentia desapareceram. Verdade! Três aulas depois, musculatura denunciando que estava acomodada, tamanha dor muscular.
Começa então a concorrência, não sei se escrevo e leio, ou vou à academia. Não consegui, ainda, dimensionar adequadamente o tempo. Chego lá!
Hoje, por exemplo, chegaram livros encomendados e isso ficou em primeiro lugar, li li li, sem descanso, quando dei por mim, passavam das oito da noite. Livros do escritor Ronald Claver me pegaram, fizeram a imaginação criar asas, domínio da linguagem e as palavras, todas ganham Arte de escrever com arte, um dos títulos. Animei e continuei a bisbilhotar outros, os infantis, os juvenis e assim, a tarde passando em ótima companhia.
Creio que me envolvi e embaralhei tudo neste mundo e figuei a ver navios em nuvens. Até que obrigada a cair na real pelo barulho na cozinha.
Fui paramentada para a situação. Chegando lá, observo que minha vestimenta não está atualizada para o gênero. Roupas colantes são a moda. Atenta segui orientações da professora. Em outra olhada, noto que o número de pessoas da idade é a maioria, o que me deixa animada.
Astral do lugar é bem legal, professores antenados se a gente está corretamente seguindo as orientações. Fundamental para a era do Condor, não é mesmo!
Não acreditei no que senti logo após primeira aula. Pessoas vão pensar, é uma exagerada, as dores que sentia desapareceram. Verdade! Três aulas depois, musculatura denunciando que estava acomodada, tamanha dor muscular.
Começa então a concorrência, não sei se escrevo e leio, ou vou à academia. Não consegui, ainda, dimensionar adequadamente o tempo. Chego lá!
Hoje, por exemplo, chegaram livros encomendados e isso ficou em primeiro lugar, li li li, sem descanso, quando dei por mim, passavam das oito da noite. Livros do escritor Ronald Claver me pegaram, fizeram a imaginação criar asas, domínio da linguagem e as palavras, todas ganham Arte de escrever com arte, um dos títulos. Animei e continuei a bisbilhotar outros, os infantis, os juvenis e assim, a tarde passando em ótima companhia.
Creio que me envolvi e embaralhei tudo neste mundo e figuei a ver navios em nuvens. Até que obrigada a cair na real pelo barulho na cozinha.
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