O filme Brooklyn, do diretor John Crowley, de 2016, é um desses que a gente gosta tanto porque faz voltar no tempo. Relembrar o jeito da sociedade em lidar com a vida, como vêm representado o amor, a moda, a forma de falar, a educação familiar e exigências sociais e, ainda, os pecados, a fofoca entre eles.
Este filme retrata os anos cinquenta na então Irlanda, terra do famoso escritor James Joyce. Uma mocinha iniciando sua vida profissional e na cidade não encontra espaço. A irmã mais velha consegue que ela vá para os Estados Unidos, morar no Brooklyn, trabalhar numa famosa loja de roupas, emprego conseguido através de um religioso conterrâneo e, estudar escrituração.
A ida é bem interessante. Ver o navio antigo e a dificuldade durante o trajeto, para quem não está na primeira classe. Inocente, alimenta-se logo que chega ao navio e a consequência, enjoos e vômitos intermitentes toda a noite. O balanço do navio tem o lado cruel. Com auxílio da colega de cabine aprende cuidados para chegar bem até o final, o macete é estômago completamente vazio e as dicas para acesso ao banheiro, dividido com outra cabine. Essa colega de bordo, também irlandesa, arrepende-se de ter voltado devido ao atraso daquela comunidade em relação ao primeiro mundo.
É muito legal ver a personagem aprendendo com a vida, a cada experiência, vai adotando o que considera adequado à sua visão de mundo e valores recebidos. Mora numa pensão e no convívio com as moças inicia os passos ao amor, bailes, cinema, trato com clientes da loja, estudos etc.
Num baile conhece um rapaz que observava ela aprendendo a dançar. Começa o envolvimento, bastante recatado. É lindo ver o casal enfronhando no jogo amoroso, as iniciativas, os senões, pouco a pouco a paixão domina a cena. Eu gostei da personagem da mocinha, mas me encantei foi com o rapaz, personagem do ator Emory Cohen. Que lindo, o jeitinho dele me fez associar ao James Dean. Achei ele perfeito no papel, o andar, o vestir-se, o movimento do corpo, o rosto ingênuo, o olhar sedutor, o cavalheirismo. Ele é bombeiro hidráulico e quando se encontram fica contando as peripécias entre encanamentos e esgoto de dejetos humanos. Tem descendência italiana.
Após estar adaptada, feliz com o namoro, recebe a notícia que a irmã veio a falecer, deixando a mãe sozinha. Ela viaja para lá, mas antes se casa com o namorado, um segredo dos dois. No local tinha um outro casal de origem irlandesa se casando também.
O retorno à cidade natal deslancha a ação, ela amadurecida vai ganhando a confiança do povoado, substituindo a irmã no emprego, na vida social encontra as amigas e elas lhe apresentam um rapaz de família abastada, vai à praia com maiô da moda, diferente do costume local, ainda conservador. O envolvimento vai lhe tomando os pensamentos, atos e vê-se dividida entre os estilos de vida.
Até que uma bisbilhoteira lhe diz conhecer o segredo. Ela finalmente tem claro que aquele lugar atrasado não lhe pertence. Diz para a mãe que já é casada e precisa retornar. No navio encontra uma marinheira de primeira viagem, indo morar no Brooklyn; ela faz o papel da antiga colega de bordo passando as orientações para sobrevivência.
O filme termina com ela esperando pelo marido após o trabalho. Ele gostava de esperar por ela do mesmo jeito. É lindo ver os dois jovens se reencontrando e sentindo que o outro é a pessoa mais importante do mundo. Amei o roteiro, história do livro do escritor Colm Tóibin.
quinta-feira, 13 de abril de 2017
domingo, 9 de abril de 2017
RELUZINDO
Meus olhinhos estão brilhando, se é que se pode dizer que os olhos brilham aos sessenta. E por quê não?
É que lembrei daquela canção do compositor Raul, A Noite do Meu Bem, lindamente cantada pela Dolores Duran:
É que lembrei daquela canção do compositor Raul, A Noite do Meu Bem, lindamente cantada pela Dolores Duran:
"Hoje eu quero a rosa
mais linda que houver
...
Eu quero toda beleza do
mundo para enfeitar a
noite do meu bem
Ah, mas como esse bem
demorou a chegar
Eu já nem sei se terei
no olhar
toda ternura que eu quero
lhe dar."
Associei a canção à frase inicial. Se o amor demorar a chegar, pode ser que a gente nem sabe se terá o brilho do olhar.
Como diz meu professor de Literatura, tenho a mania de ficar explicando demais, o que é um defeito na escrita. Como sou leiga me permito o deslize. Mas vamos lá, meu olhar está brilhando, estou encantada com os livros do Wander Piroli e do Hemingway, segundo meu professor, ótimos em diálogos. Vou lendo e prestando atenção na elaboração.
Do Hemingway eu só tinha lido O Velho e o Mar. Agora vou ler As neves do Kilimanjaro (contos), Ter ou Não Ter, O Sol Também se Levanta e Adeus às Armas.
Já o Wander Piroli, apesar de conhecê-lo como escritor da minha terra, não tinha lido ainda. Uma escrita infanto-juvenil, para jovens e velhos de todas as idades: Três menos um é igual a sete, O matador, Os rios morrem de sede, O menino e o pinto do menino. São livros com histórias simples que de súbito ganham conteúdo poético pela expressividade do escritor. Lindos. Lição de vida.
Admito, olhinhos é demais. Os olhos brilham a cada virada de página.
quarta-feira, 5 de abril de 2017
CUIDE BEM DOS DENTES
Assisti ao filme Aprendendo com vovó, 2015, americano. Em inglês o título é Grandma. Eu adorei a tal avó, nada de tradicional, antenada e feminista. O foco é a neta que procura a ajuda da avó após o namorado não aceitar a gravidez dela e desaparecer. A garota anda perdida, sem o apoio da mãe no momento.
É uma família diferenciada: a avó assumidamente lésbica, viveu muitos anos com uma companheira até a morte. Elas tiveram uma filha, que é a mãe da moça grávida e aparece como uma bem sucedida mulher. Essa mulher, de seu lado, teve uma gravidez independente, a partir de inseminação artificial e nunca aceitou revelar à filha quem foi o doador, sabe apenas que tem cabelo crespo.
Ao buscar a ajuda da avó, a neta vai aos poucos conhecendo características e posturas desconhecidas por ela. A avó aparenta um mau humor generalizado, um pouco porque ainda vive um luto e também por ter encerrado uma nova relação. É respeitada pela escrita e durante o filme aparecem fãs com algumas citações, mas ela perdeu o pique de escrever devido às crises.
A questão que permeia o filme é que as duas vão manter um relacionamento estreito, definido pela necessidade de conseguir dinheiro para um aborto. Legal onde moram, mas ainda assim, alguns não aceitam e lutam contra.
A avó quer socorrer a neta, mas não tem a grana. Começam a fazer uma via crucis onde encontrar quem lhe emprestasse. Acontece que o mal humor da avó atrapalhou muitas relações de convivência, as quais tenta procurar agora, como tábua de salvação.
Primeiro tentam com o rapaz que é o pai da criança. Um jovem adolescente sem nenhum interesse pela situação. Conseguem tirar dele uma ninharia. Seguem na busca. E vão encontrando pessoas que andam sem condições, mas que não deixam de dar uma espezinhada na forma como a avó se relacionou com elas tempos atrás.
O mais interessante foi quando a avó buscou a ajuda de um homem, um amigo que não via a mais de dez anos, mas que na verdade foi seu marido por pouco tempo. Ele ainda tinha mágoa por ela não ter tido um filho com ele e sim com um desconhecido. E também por ter feito um aborto quando esperava um filho dele sem ao menos lhe dar conhecimento. Não concordou em emprestar quando soube o objetivo do dinheiro. Quando vão embora, a avó explica para a neta o por quê dele estar tão magoado, é que ela não contou que era lésbica e viveram juntos, ele queria uma esposa, ela não queria um marido.
Durante o encontro com o tal homem, ele comentou com a mocinha a importância de se cuidar muito bem dos dentes, pois é a única coisa que fica após a morte, o esqueleto e os dentes. Um humor ácido, mórbido, mas interessante e que nos leva a pensar.
Como as opções de ajuda da avó encerraram-se, buscam auxílio com a mãe de sua neta. Ela acaba concordando em dar o dinheiro e lá se vão as duas. Antes do processo, a neta passa por atendimento psicológico para ter a certeza do que fazia, e explicou que um dia queria ter uma família e filhos, mas no momento não tinha preparo.
Ainda, lembrei de uma dica muito legal que escutei da personagem vovó, num comentário sobre escrita, ela disse que a escrita é de melhor qualidade quando se está amando alguém, a produção fica mais rica, sem dúvida nenhuma, fala dela.
Cada uma escutando a outra e cada uma descobrindo-se a partir da convivência. Muito legal o enredo.
É uma família diferenciada: a avó assumidamente lésbica, viveu muitos anos com uma companheira até a morte. Elas tiveram uma filha, que é a mãe da moça grávida e aparece como uma bem sucedida mulher. Essa mulher, de seu lado, teve uma gravidez independente, a partir de inseminação artificial e nunca aceitou revelar à filha quem foi o doador, sabe apenas que tem cabelo crespo.
Ao buscar a ajuda da avó, a neta vai aos poucos conhecendo características e posturas desconhecidas por ela. A avó aparenta um mau humor generalizado, um pouco porque ainda vive um luto e também por ter encerrado uma nova relação. É respeitada pela escrita e durante o filme aparecem fãs com algumas citações, mas ela perdeu o pique de escrever devido às crises.
A questão que permeia o filme é que as duas vão manter um relacionamento estreito, definido pela necessidade de conseguir dinheiro para um aborto. Legal onde moram, mas ainda assim, alguns não aceitam e lutam contra.
A avó quer socorrer a neta, mas não tem a grana. Começam a fazer uma via crucis onde encontrar quem lhe emprestasse. Acontece que o mal humor da avó atrapalhou muitas relações de convivência, as quais tenta procurar agora, como tábua de salvação.
Primeiro tentam com o rapaz que é o pai da criança. Um jovem adolescente sem nenhum interesse pela situação. Conseguem tirar dele uma ninharia. Seguem na busca. E vão encontrando pessoas que andam sem condições, mas que não deixam de dar uma espezinhada na forma como a avó se relacionou com elas tempos atrás.
O mais interessante foi quando a avó buscou a ajuda de um homem, um amigo que não via a mais de dez anos, mas que na verdade foi seu marido por pouco tempo. Ele ainda tinha mágoa por ela não ter tido um filho com ele e sim com um desconhecido. E também por ter feito um aborto quando esperava um filho dele sem ao menos lhe dar conhecimento. Não concordou em emprestar quando soube o objetivo do dinheiro. Quando vão embora, a avó explica para a neta o por quê dele estar tão magoado, é que ela não contou que era lésbica e viveram juntos, ele queria uma esposa, ela não queria um marido.
Durante o encontro com o tal homem, ele comentou com a mocinha a importância de se cuidar muito bem dos dentes, pois é a única coisa que fica após a morte, o esqueleto e os dentes. Um humor ácido, mórbido, mas interessante e que nos leva a pensar.
Como as opções de ajuda da avó encerraram-se, buscam auxílio com a mãe de sua neta. Ela acaba concordando em dar o dinheiro e lá se vão as duas. Antes do processo, a neta passa por atendimento psicológico para ter a certeza do que fazia, e explicou que um dia queria ter uma família e filhos, mas no momento não tinha preparo.
Ainda, lembrei de uma dica muito legal que escutei da personagem vovó, num comentário sobre escrita, ela disse que a escrita é de melhor qualidade quando se está amando alguém, a produção fica mais rica, sem dúvida nenhuma, fala dela.
Cada uma escutando a outra e cada uma descobrindo-se a partir da convivência. Muito legal o enredo.
sábado, 1 de abril de 2017
GATOS PARDOS
Adoro caminhar ou correr na praia descalço. Vem a brisa, levanta a areia, ameaça o olhar, é o tempo que muda com as estações. O pé na beira mar chutando a água e internamente a infância tamborilando vão dar uma trégua nas brincadeiras.
Agora quando dou umas corridinhas na praia, aquelas tipo trote, tenho de fazê-las completamente vestida, por que é tanto balança mas não cai, só com traje de banho não dá mais. Quando arrisco a tal gafe pode saber está anoitecendo e todos os gatos são pardos. Falo isso sem mágoa alguma e nem economizo ironia a respeito. Afinal fico feliz por saborear tal atividade em boa saúde.
Mas este ano está bem diferente dos anteriores com relação aos desejos de caminhar diariamente na praia. Sei que os compromissos estão colados aos horários e mal sobra tempinho extra. Ainda não consegui concatenar pausas para o lazer.
Apesar da semana atribulada devo confessar que amei. Saí todos os dias de casa. Recomendação benéfica dita por um médico a minha sogra: "morra, mas saia de casa." Certíssimo. Adianta se tornar um vivente preso entre quatro paredes? Vi lances do cotidiano que acenderam meu cérebro às novidades, e que não aconteceria se não tivesse posto o pé fora de casa. O direito de preferência.
Fiz outros tipos de exercício físico, outras tarefas e a cabeça no travesseiro foi pro sono no zapt zupt. Nada como viver, mesmo sendo parda!
Agora quando dou umas corridinhas na praia, aquelas tipo trote, tenho de fazê-las completamente vestida, por que é tanto balança mas não cai, só com traje de banho não dá mais. Quando arrisco a tal gafe pode saber está anoitecendo e todos os gatos são pardos. Falo isso sem mágoa alguma e nem economizo ironia a respeito. Afinal fico feliz por saborear tal atividade em boa saúde.
Mas este ano está bem diferente dos anteriores com relação aos desejos de caminhar diariamente na praia. Sei que os compromissos estão colados aos horários e mal sobra tempinho extra. Ainda não consegui concatenar pausas para o lazer.
Apesar da semana atribulada devo confessar que amei. Saí todos os dias de casa. Recomendação benéfica dita por um médico a minha sogra: "morra, mas saia de casa." Certíssimo. Adianta se tornar um vivente preso entre quatro paredes? Vi lances do cotidiano que acenderam meu cérebro às novidades, e que não aconteceria se não tivesse posto o pé fora de casa. O direito de preferência.
Fiz outros tipos de exercício físico, outras tarefas e a cabeça no travesseiro foi pro sono no zapt zupt. Nada como viver, mesmo sendo parda!
domingo, 19 de março de 2017
IDEIAS NÃO FAZEM SESTA!
O domingo vem bem manso: céu nublado, respingos de chuvisco fino caindo do telhado e dando aquele barulhinho repetitivo e parece dizer pra gente, vem vem tirar uma soneca! aproveita e descansa! É o que estou escutando, com as pálpebras querendo me desobedecer e cerrar para boa sesta... apesar do horário do almoço ter passado um bocado, meu corpo não quer aceitar o fato e extrapola do expediente comum às sestas.
Tento vencer a tentação e temporizo com os trabalhos que me aguardam no fim de tarde. Um deles está me deixando de olhar bem aberto e estupefata. O livro de contos do escritor americano Raymond Carver (1938-88), 68 Contos de Raymond Carver, Companhia das Letras, 2010, traduzidos por Rubens Figueiredo. São 705 páginas e já desenvolvi boa leitura em umas 150. E a cada conto que termino fica claro que quem tem a tal habilidade, é bem legal mesmo. O danado destrincha um assuntinho de nada, do cotidiano trivial, e caminha para um lado, caminha para outro, e quando termina conseguiu dar uma guinada num lance que se a gente for fazer um comentário de semelhante coisa para uma pessoa, o caso seria completamente banal. O banal dele, dito de forma literária e que acrescenta nas entrelinhas... que delícia!
Dá para entender quando dizem que o bom conto é aquele que instiga. Ele, apesar de ser conhecido por seu detalhismo e emotividade, faz a gente chegar ao final com a emoção na ponta dos olhos, dos lábios e expressar, o cara é muito bom mesmo. Eis um dos motivos que venho vencendo a vertigem que me tonteia bem agorinha.
Outro é por estar conhecendo a história do escritor, que morreu aos 50. Casou-se muito jovem e gostava de escrever, mas pobre, teve diversas profissões para sobreviver e criar a família. Com a vida atribulada, e pouco tempo para a escrita optou por contos. Obteve o incentivo da esposa no processo, mas o problema com bebida fez que o casamento acabasse. Conseguiu largar o vício mais tarde, mas não deixou os cigarros. Casou-se com uma poetisa e foi reconhecido como grande escritor e conheceu a tranquilidade para sentar e escrever nos últimos dez anos de vida. Morreu vítima de câncer de pulmão. Outro dado interessante é a existência de um leitor muito crítico, o professor de escrita literária e depois editor, que interferia nos textos com o consentimento dele, até certo estágio, e mais tarde, o escritor amadurecido, rejeita cortes que considera exagerados.
O dado que me deixou atenta foi sobre a ética essencial do ofício de escritor, recebido do primeiro orientador John Gardner (1938-82), de que é essencial que as palavras e os sentimentos sejam verdadeiros e vivenciados pelos leitores como tal, o que confere importância ao texto.(pág.11).
E por estar contando tudo isso, a pasmaceira que inicialmente me domava, se arrefeceu na construção do texto. Nada como uma atividade que mexe com as ideias da gente.
Tento vencer a tentação e temporizo com os trabalhos que me aguardam no fim de tarde. Um deles está me deixando de olhar bem aberto e estupefata. O livro de contos do escritor americano Raymond Carver (1938-88), 68 Contos de Raymond Carver, Companhia das Letras, 2010, traduzidos por Rubens Figueiredo. São 705 páginas e já desenvolvi boa leitura em umas 150. E a cada conto que termino fica claro que quem tem a tal habilidade, é bem legal mesmo. O danado destrincha um assuntinho de nada, do cotidiano trivial, e caminha para um lado, caminha para outro, e quando termina conseguiu dar uma guinada num lance que se a gente for fazer um comentário de semelhante coisa para uma pessoa, o caso seria completamente banal. O banal dele, dito de forma literária e que acrescenta nas entrelinhas... que delícia!
Dá para entender quando dizem que o bom conto é aquele que instiga. Ele, apesar de ser conhecido por seu detalhismo e emotividade, faz a gente chegar ao final com a emoção na ponta dos olhos, dos lábios e expressar, o cara é muito bom mesmo. Eis um dos motivos que venho vencendo a vertigem que me tonteia bem agorinha.
Outro é por estar conhecendo a história do escritor, que morreu aos 50. Casou-se muito jovem e gostava de escrever, mas pobre, teve diversas profissões para sobreviver e criar a família. Com a vida atribulada, e pouco tempo para a escrita optou por contos. Obteve o incentivo da esposa no processo, mas o problema com bebida fez que o casamento acabasse. Conseguiu largar o vício mais tarde, mas não deixou os cigarros. Casou-se com uma poetisa e foi reconhecido como grande escritor e conheceu a tranquilidade para sentar e escrever nos últimos dez anos de vida. Morreu vítima de câncer de pulmão. Outro dado interessante é a existência de um leitor muito crítico, o professor de escrita literária e depois editor, que interferia nos textos com o consentimento dele, até certo estágio, e mais tarde, o escritor amadurecido, rejeita cortes que considera exagerados.
O dado que me deixou atenta foi sobre a ética essencial do ofício de escritor, recebido do primeiro orientador John Gardner (1938-82), de que é essencial que as palavras e os sentimentos sejam verdadeiros e vivenciados pelos leitores como tal, o que confere importância ao texto.(pág.11).
E por estar contando tudo isso, a pasmaceira que inicialmente me domava, se arrefeceu na construção do texto. Nada como uma atividade que mexe com as ideias da gente.
sábado, 18 de março de 2017
DIFÍCIL GUARDAR SEGREDO
| A foto é velha, a intenção é nova! |
E tá aí a encrenca, o tal projeto deve durar, deve não, vai durar seis meses, compromisso firmado e aceito. Difícil, admito, ando atarantada, pois não sou mais uma criança e não estou entendendo nada. Certo exagero decorre de que eu venho tentando, tentando, tentando e procrastinando na mesma quantidade, sem aquela força necessária para o querer verdadeiro.
Até que a decisão agora foi acirrada. Eu verdadeiramente assumi que desta vez vou cumprir fielmente e em seis meses terei o retorno da empreitada. Por mais queira tornar pública a tal questão, desta vez o segredo está pairando o processo. Quero crer que O Segredo seja a alma do negócio. Até porque em caso de falha no decorrer posso me eximir da satisfação ao próximo.
A língua está coçando, quer dizer, os dedos que aqui teclam e o comando cerebral que me desafia a cumprir ambas as promessas, realizar em segredo, todos no pique do dia a dia... doidos por fofoca, a conhecida do cotidiano de cada dia, principalmente nas redes.
Difícil manter tamanha promessa e atuar solitariamente na conquista do tal desejo, então vá lá, já que não dou conta peço apenas "take it easy" por algum tempo... até estar bem mastigado e no ritmo desejado. Bye!
segunda-feira, 6 de março de 2017
LUTA FEMININA DE TODO DIA
Finalmente os brasileiros podem dizer Feliz Ano Novo! Eu me surpreendi ter recebido tal felicitação por agora... que acabou o carnaval. Então aqui estou eu no pique de início de 2017, lendo e aproveitando o restolho de descanso que o domingo traz.
Acabei de devorar, essa é a palavra, o livro O vestido vermelho, Vera Moll, Bom Texto, 2011. A autora foi uma das premiadas do Prêmio Cruz e Souza 2009, no segundo lugar.
Adorei como ela desenvolveu a história, delirei com a personagem principal, uma mulher sensível envolvida no relacionamento, o casamento, como vai desembaraçando a história, tendo, ainda, como pano de fundo, a própria vivência juvenil no período da ditadura e de como vai lidando com uma situação que trouxe a todos os brasileiros bastante dor, queixas, perdas, e a ilusão de formatação de uma democracia que na verdade custa a vingar até hoje... tá aí o lenga-lenga.
Ela começa o livro com o ditado africano "Aquele com quem casamos é aquele com quem lutamos." A partir daí vai destrinchando a história de vida, o romance juvenil, a dura realidade de muitos anos de casada, a vivência do machismo e de como a mulher daquele período se comporta frente a dominação masculina e com que dificuldade busca romper as raízes arcaicas do poder dominante.
É muito duro, dureza é a melhor expressão. A mulher vem desde tempos remotos sujeitada, submetida aos comandos e de tão arraigados tem imensa luta consigo mesma, com a sociedade, com familiares, não conseguindo fácil rompimento dos estratagemas seculares moldados.
Assim, a junção de tantos desafios, que reúnem as questões pessoais, familiares, sociais, num bojo de problemáticas, que vão unindo crises e mais crises existenciais,visando o desvencilhar de valores conservadores e de dominação aos quais as mulheres são submetidas.
E o vermelho é significativo para a personagem. A cor que traz em si a energia envolve a nós numa história emocionante e que toca principalmente as mulheres, que vivemos no dia a dia a necessidade de luta por direitos... ainda hoje...
Acabei de devorar, essa é a palavra, o livro O vestido vermelho, Vera Moll, Bom Texto, 2011. A autora foi uma das premiadas do Prêmio Cruz e Souza 2009, no segundo lugar.
Adorei como ela desenvolveu a história, delirei com a personagem principal, uma mulher sensível envolvida no relacionamento, o casamento, como vai desembaraçando a história, tendo, ainda, como pano de fundo, a própria vivência juvenil no período da ditadura e de como vai lidando com uma situação que trouxe a todos os brasileiros bastante dor, queixas, perdas, e a ilusão de formatação de uma democracia que na verdade custa a vingar até hoje... tá aí o lenga-lenga.
Ela começa o livro com o ditado africano "Aquele com quem casamos é aquele com quem lutamos." A partir daí vai destrinchando a história de vida, o romance juvenil, a dura realidade de muitos anos de casada, a vivência do machismo e de como a mulher daquele período se comporta frente a dominação masculina e com que dificuldade busca romper as raízes arcaicas do poder dominante.
É muito duro, dureza é a melhor expressão. A mulher vem desde tempos remotos sujeitada, submetida aos comandos e de tão arraigados tem imensa luta consigo mesma, com a sociedade, com familiares, não conseguindo fácil rompimento dos estratagemas seculares moldados.
Assim, a junção de tantos desafios, que reúnem as questões pessoais, familiares, sociais, num bojo de problemáticas, que vão unindo crises e mais crises existenciais,visando o desvencilhar de valores conservadores e de dominação aos quais as mulheres são submetidas.
E o vermelho é significativo para a personagem. A cor que traz em si a energia envolve a nós numa história emocionante e que toca principalmente as mulheres, que vivemos no dia a dia a necessidade de luta por direitos... ainda hoje...
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